terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Viva!

Quando muito jovem eu sonhava em conquistar o mundo. .. Recebia muitos ensinamentos da minha “nonna” aos quais eu pouco dava ouvidos. Eu pensava que ela não sabia de nada e que por ser  “velha” não entendia que o mundo havia mudado. .. Fiz minhas escolhas e sofri a consequência de cada delas. 
Aprendi muitas coisas que eu não imaginava …
Aprendi que o amor é incondicional, independe de interesses ou de troca… não pede retorno, não faz cobranças, não requer condições… ele existe : ponto final!  E o que quer que seja apresentado como amor e exige, cobra, condiciona….pode ser tudo mas, não é amor.
Aprendi que eu podia sonhar mas, que sem trabalhar para tornar o sonho realizado seria perda de tempo. … só perderia tempo e ganharia o sentimento de culpa. .. Assim sendo, deixaria de sonhar…
Aprendi que eu sou uma pessoa que possui qualidades e defeitos , que vive conforme os valores e princípios legados pelos  familiares e amigos e que os outros são pessoas que também vivem conforme o que aprenderam. Assim não devo julgar ou criar expectativa por não agirem como eu agiria. 
Entendi que os meus tropeços e tombos são meus e ocorreram pelas minhas escolhas. Não me cabe direcionar ninguém neste ou naquele caminho. .. Posso no máximo compartilhar minha trajetória e rezar para que de alguma forma auxilie o outro a ter cuidado ao iniciar a sua própria.  
Aprendi que não preciso ser isto ou aquilo e também não necessito da aprovação alheia. .. me basta ser o que ou quem eu sou ...e que cabe a mim mesma decidir por onde vou.
Aprendi que posso ter dúvidas, medos, tristeza ou conflitos e que isso não me faz fraca mas, me ajuda a ser humana. 
Aprendi que ter coragem não é  levantar bandeiras ou ecoar um grito de revolta mas, silenciar quando nada de bom possa dizer e no silêncio empunhar dignidade e hombridade. 
Aprendi que o amparo às vítimas de um incêndio não me pede para atirar-me em meio às chamas. Posso fazer o que me é possível de acordo com minha consciência e condição. Não preciso ser heroína ou vilã ,  me basta ser humana. 
Compreendi que pensar é subjetivo  e que se somos indivíduo não posso obrigar o  outro a pensar como eu penso ou mesmo exigir que ele mude de pensamento. 
Aprendi  também que pensamentos e sentimentos e emoções são únicos de cada um e que devo respeitar o outro em cada um dos seus momentos. 
Aprendi que generosidade, amizade, confiança, bondade não significam acordos mas valores… Entendi que a arrogância, o preconceito e  a prepotência são  comuns aos ignorantes. E que a ignorância é só a falta de reflexão ou conhecimento. E que a falta de respeito  gera intolerância. 
Descobri que a vida é feita de pequenos momentos e que pode se esvair numa fração de segundos. 
Surpreendentemente posso optar por otimismo ou pessimismo, sonho ou realidade, glória ou ostracismo mas, não posso culpar o  outro que na diversidade de ser se opõe a mim. 
Aprendi que minha forma física mudou muito mas, meu conteúdo também.  Não tenho mais o corpo de trinta anos atrás mas, hoje possuo um entendimento maior e mais leve da vida…. Aprendi que é preciso equilíbrio, serenidade e  leveza isso se chama : maturidade. 
O outro pode complementar parte da minha jornada mas, de forma alguma pode ser  a minha vida.
Não preciso  viver só mas, devo aprender ser minha melhor companhia. 
Aprendi que dá muito trabalho ser eu e cuidar de mim mesma,  que é complexo meu  entendimento a despeito de um dia, e que me respeitar com todas as minhas limitações chega a ser cruel. Mas, eu aprendi a me aceitar e a me respeitar e assim aprendo a me amar.
Aprendi a administrar o tempo para não viver administrada e em razão dele… Meu tempo é o presente, o ontem é passado e o amanhã nunca chega.
Tantas lições aprendidas e tanto ainda a aprender. ..
A maioria das vezes penso que aprendi com a dor e sofrimento e não nego que hoje eu penso nos conselhos da “nonna” uma mulher simples, analfabeta das letras, sem o verniz do dinheiro mas, que na sua simplicidade e com seus cabelos branquinhos oferecia compartilhar comigo sua sábia existência e seu aprendizado. 
O tempo não pára e nem  espera, urge….e não  volta atrás. Mas eu aprendi a  valorização da vida por aqueles que vieram antes de mim, que sofreram e sonharam, que tentaram me ajudar mas, naquele tempo eu que  achava que podia ganhar o mundo não tinha maturidade para entender.  
Não quero mais ganhar o mundo, aprendi que eu sou parte dele e que a vida não é uma luta onde o que importa são os vitoriosos versus  derrotados. A vida é  uma  grande celebração onde o que realmente conta é  viver a vida  e  reconhecer os momentos magníficos que esta existência terrestre nos proporciona. 
Um brinde a vida!
Tim Tim….Carpe vita!


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