Quando muito jovem eu sonhava em conquistar o mundo. .. Recebia muitos ensinamentos da minha “nonna” aos quais eu pouco dava ouvidos. Eu pensava que ela não sabia de nada e que por ser “velha” não entendia que o mundo havia mudado. .. Fiz minhas escolhas e sofri a consequência de cada delas.
Aprendi muitas coisas que eu não imaginava …
Aprendi que o amor é incondicional, independe de interesses ou de troca… não pede retorno, não faz cobranças, não requer condições… ele existe : ponto final! E o que quer que seja apresentado como amor e exige, cobra, condiciona….pode ser tudo mas, não é amor.
Aprendi que eu podia sonhar mas, que sem trabalhar para tornar o sonho realizado seria perda de tempo. … só perderia tempo e ganharia o sentimento de culpa. .. Assim sendo, deixaria de sonhar…
Aprendi que eu sou uma pessoa que possui qualidades e defeitos , que vive conforme os valores e princípios legados pelos familiares e amigos e que os outros são pessoas que também vivem conforme o que aprenderam. Assim não devo julgar ou criar expectativa por não agirem como eu agiria.
Entendi que os meus tropeços e tombos são meus e ocorreram pelas minhas escolhas. Não me cabe direcionar ninguém neste ou naquele caminho. .. Posso no máximo compartilhar minha trajetória e rezar para que de alguma forma auxilie o outro a ter cuidado ao iniciar a sua própria.
Aprendi que não preciso ser isto ou aquilo e também não necessito da aprovação alheia. .. me basta ser o que ou quem eu sou ...e que cabe a mim mesma decidir por onde vou.
Aprendi que posso ter dúvidas, medos, tristeza ou conflitos e que isso não me faz fraca mas, me ajuda a ser humana.
Aprendi que ter coragem não é levantar bandeiras ou ecoar um grito de revolta mas, silenciar quando nada de bom possa dizer e no silêncio empunhar dignidade e hombridade.
Aprendi que o amparo às vítimas de um incêndio não me pede para atirar-me em meio às chamas. Posso fazer o que me é possível de acordo com minha consciência e condição. Não preciso ser heroína ou vilã , me basta ser humana.
Compreendi que pensar é subjetivo e que se somos indivíduo não posso obrigar o outro a pensar como eu penso ou mesmo exigir que ele mude de pensamento.
Aprendi também que pensamentos e sentimentos e emoções são únicos de cada um e que devo respeitar o outro em cada um dos seus momentos.
Aprendi que generosidade, amizade, confiança, bondade não significam acordos mas valores… Entendi que a arrogância, o preconceito e a prepotência são comuns aos ignorantes. E que a ignorância é só a falta de reflexão ou conhecimento. E que a falta de respeito gera intolerância.
Descobri que a vida é feita de pequenos momentos e que pode se esvair numa fração de segundos.
Surpreendentemente posso optar por otimismo ou pessimismo, sonho ou realidade, glória ou ostracismo mas, não posso culpar o outro que na diversidade de ser se opõe a mim.
Aprendi que minha forma física mudou muito mas, meu conteúdo também. Não tenho mais o corpo de trinta anos atrás mas, hoje possuo um entendimento maior e mais leve da vida…. Aprendi que é preciso equilíbrio, serenidade e leveza isso se chama : maturidade.
O outro pode complementar parte da minha jornada mas, de forma alguma pode ser a minha vida.
Não preciso viver só mas, devo aprender ser minha melhor companhia.
Aprendi que dá muito trabalho ser eu e cuidar de mim mesma, que é complexo meu entendimento a despeito de um dia, e que me respeitar com todas as minhas limitações chega a ser cruel. Mas, eu aprendi a me aceitar e a me respeitar e assim aprendo a me amar.
Aprendi a administrar o tempo para não viver administrada e em razão dele… Meu tempo é o presente, o ontem é passado e o amanhã nunca chega.
Tantas lições aprendidas e tanto ainda a aprender. ..
A maioria das vezes penso que aprendi com a dor e sofrimento e não nego que hoje eu penso nos conselhos da “nonna” uma mulher simples, analfabeta das letras, sem o verniz do dinheiro mas, que na sua simplicidade e com seus cabelos branquinhos oferecia compartilhar comigo sua sábia existência e seu aprendizado.
O tempo não pára e nem espera, urge….e não volta atrás. Mas eu aprendi a valorização da vida por aqueles que vieram antes de mim, que sofreram e sonharam, que tentaram me ajudar mas, naquele tempo eu que achava que podia ganhar o mundo não tinha maturidade para entender.
Não quero mais ganhar o mundo, aprendi que eu sou parte dele e que a vida não é uma luta onde o que importa são os vitoriosos versus derrotados. A vida é uma grande celebração onde o que realmente conta é viver a vida e reconhecer os momentos magníficos que esta existência terrestre nos proporciona.
Um brinde a vida!
Tim Tim….Carpe vita!

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